“Até hoje eu sinto um Titanic na minha consciência, diariamente naufragando e matando 1.532 pessoas. Mas sabe como é, ou você se absolve em algum nível ou vai passar o resto dos dias odiando você mesmo. E o que eu aprendi com isso tudo? Não sei. Talvez que todos nós cometemos erros. Afinal, somos todos humanos. Alguns, à sua estranha maneira.”
“Estava me apoiando no parapeito da janela do segundo andar e pensando como seria a sensação de voar. Bobagem, do segundo andar a queda não é tão brusca e o voo não é tão alto. Do segundo andar apenas observo carros passarem, pessoas passarem, o tempo passar… Apenas as passagens. Do parapeito da janela nada era mais poético, eu que insistia em ver no voo inexistente uma esperança de liberdade. Porque é quase isso que quero: me jogar de uma forma que não se caia; me jogar em abismos sem medo da corda arrebentar. Mas as cordas, sempre invisíveis, arrebentam todos os dias. Eu continuo no mesmo lugar.”
“— Como seria um pedido de namoro ideal pra você?
— Sei lá.
— Se eu me ajoelhasse em meio a uma praça pública, e te pedisse em namoro?
— Eu mandaria você levantar e iria rir da sua cara.
— Romântico demais?
— Clichê demais.
— Se eu escrevesse uma música em homenagem à você, e fizesse o pedido?
— Não ia dar certo.
— Por que?
— Você canta mal.
— Porra.
— Que foi?
— Como é que vou te pedir em namoro então?
— Não sei… Só tenta.
— Namora comigo.
— Isso é uma ordem?
— Namora comigo, por favor?
— Tá implorando?
— Namora comigo ou…
— Agora vai me ameaçar?
— Quero uma namorada, ela precisa ser você.
— Precisa por que?
— Porque é tudo o que você mais quer.
— E você garante isso como?
— Se não quisesse, não me faria tentar mais de três vezes.
— E?
— E isso significa que nem precisava eu pedir. Você já é minha.”